Assisti a Nonnas uma produção encantadora que convida à reflexão, uma pergunta sensível e silenciosa: o que fazemos com o amor que não tem mais onde pousar?
Ao perder a mãe, Joe encontra um caminho que reconheço intimamente — o de transformar a dor em memória viva, e a saudade em gesto. Ele não tenta apagar a morte, nem seguir em frente como se nada tivesse sido perdido. Ao contrário, ele caminha com a perda, permitindo que ela se transforme em legado.
Esse é o tipo de luto que toca minha alma: o luto transformativo. Aquele que não busca esquecer, mas integrar. Que compreende que amar alguém profundamente é aceitar que esse amor continuará pedindo expressão mesmo depois da morte. Em Nonnas, a comida, as histórias e os encontros funcionam como rituais sutis de elaboração — pequenas formas de dizer “você ainda vive em mim”.
Esse filme me lembrou que algumas presenças não se encerram no fim da vida física. Elas permanecem nos gestos que repetimos, nos cuidados que herdamos e na maneira como escolhemos estar no mundo. O amor materno, aqui, não é lembrança distante — é raiz.
Nonnas é um convite delicado a olhar para o luto não apenas como ferida, mas também como possibilidade de continuidade. Uma narrativa onde a morte não interrompe o vínculo, apenas o transforma.

Nenhum comentário:
Postar um comentário