Dulce criou três filhos e os educou muito bem, mesmo quando ficou viúva, nunca largou as rédeas da educação dos filhos. Mulher de sensibilidade e doçura ímpar e ao mesmo tempo fortaleza de sua família.
Os filhos cresceram, estudaram e trabalharam mas nunca deixaram de cuidar da mãe. Eram felizes, tiveram uns aos outros de forma pura e verdadeira. As lembranças deixadas por ela, foram as mais doces e tocantes.
Em determinado momento de suas vidas, foram pegos de surpresa, Dulce estava doente. Ninguém espera ser assolado por uma enfermidade que o fará partir. A levaram ao médico e... já não havia o que a medicina pudesse fazer por ela. O que os filhos fizeram, foi o de sempre, doar todo o amor e cuidado que também um dia receberam.
Antes da confirmação médica, pediu a um dos filhos: "Se um dia essa coisa (CA) me pegar, não quero que me contem". E assim, eles fizeram. O silêncio em relação à doença era sereno entre eles e a mãe. Ela era um mulher muito inteligente, só não queria ouvir o que ela já sabia.
O médico aconselhou que voltassem a terra natal, Congonhas/MG; para que ela pudesse ficar mais próxima dos seus e ter alguma qualidade de vida até chegar a hora de sua partida.
Cicinha, como era conhecida, era foliã de carteirinha, amava pular carnaval, mas digo do carnaval das marchinhas, do Pierrot, Arlequim e Colombina. Inclusive, houve um ano em que Cicinha se fantasiou de Pierrot, esse personagem a encantava - apesar do amor platônico por Colombina - Pierrot trazia encantamento ao coração de Cicinha. Ela nunca abriu mão da realidade, mas era uma escolha lidar com ela com doçura e leveza, como brincar a magia do carnaval de outrora.
Dulce amou e foi amada, honrou e foi honrada pelo marido, foi cuidada com amor pelos filhos, foi uma mulher respeitada e admirada pela família e amigos. Em 30 dias hospitalizada, Cicinha teve o bálsamo que pouquíssimos têm, não foi tomada pela dor física, foram 30 dias sem dor. Em uma noite, pouco antes de sua partida, Cicinha contou a um de seus filhos:
"Meu filho, essa noite sonhei que estava pulando carnaval!" e sorriu como quem dizia, "Filho, é chegada minha hora, mas vou-me com a alegria que vivi, com dever cumprido de não ter deixado que o mundo apagasse minha doçura e nem sufocasse minha melodia".
E assim, Cicinha partiu, 'carnavaleando' com Pierrots, Arlequins e Colombinas...
Aos seus, deixou o legado da beleza e leveza desse sopro divino chamado VIDA.
Conto autorizado pelo filho, Geraldo Di Oliveira.


Nenhum comentário:
Postar um comentário