A palavra "boa morte" não se refere apenas à ausência de sofrimento físico, mas à paz espiritual e à salvação da alma no momento da partida.
A devoção tem raízes portuguesas e espanholas, trazida para o Brasil durante o período colonial. No século XIX, essa figura mariana foi profundamente incorporada à religiosidade popular, especialmente entre mulheres negras libertas e escravizadas, que viam na imagem da Santa um símbolo de esperança diante da dor e da injustiça.
Irmandade da Boa Morte (Bahia – Cachoeira)
Características:
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Mulheres mais velhas e respeitadas da comunidade;
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Vestem-se com roupas de gala e trajes litúrgicos;
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Misturam elementos do catolicismo e do candomblé;
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Realizam procissões, novenas, rezas e festas com danças e comida típica.
A Festa da Boa Morte
Realizada geralmente entre os dias 13 e 17 de agosto, a festa celebra a morte e assunção de Maria, mas também é uma forma de reafirmação da cultura afro-brasileira, da fé e da luta contra o racismo.
A festa é dividida em dois momentos:
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Rito religioso: missas, cânticos e procissões.
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Celebração popular: samba de roda, comidas típicas, confraternizações, oferendas.
Simbolismo Espiritual e Tanatológico
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Maria representa o acolhimento no momento da morte, como um portal entre o mundo dos vivos e o divino;
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A devoção traz conforto aos enlutados e esperança de uma transição serena;
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Na tradição da irmandade, a morte não é fim, mas passagem;
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Une o sagrado feminino, a ancestralidade, a espiritualidade negra e a luta por dignidade.
Além do aspecto espiritual, a Irmandade da Boa Morte é símbolo de:
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Resistência negra feminina;
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Luta pela liberdade e reconhecimento social;
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Conexão com os orixás (sobretudo com Iansã e Nanã, ligadas à morte e ancestralidade).
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